Monday, January 06, 2003

As Duas Torres

Comentário mais do que atrasado, mas tudo bem. Eu já estava quase desistindo de falar sobre o assunto, dados os comentários em quase todos os outros blogs que leio, mas mudei de idéia.

Compartilho a opinião do Ricardo: "o filme é só uma ilustração do livro". Alguns cenários e personagens foram reproduzidos fielmente, algumas (poucas) cenas também. De resto, o senhor Peter Jackson resolveu contar a história como ele vê. Não sou bitolado a ponto de exigir que todas as cenas do livro fossem mantidas, mas um erro grave foi cometido. Como segunda parte de uma trilogia, esta deveria ser a parte mais "negra" da história, onde as reais dificuldades se apresentam e os protagonistas se encontram à beira da derrota. No entanto, este filme foi até mais alegre que o primeiro. Nada de clima pesado, suspense. Para mim, quase todo este filme deveria ter o clima que a cena nos pântanos mortos teve.

Além disso, só fazendo uma coletânea do que li por aí, diversas modificações desnecessárias foram feitas: a tentação de Faramir, o retorno a Osgiliath, a servidão de Saruman, a personalidade de Gimli (ranzinza e teimoso, não palhaço), a ênfase no romance de Aragorn e Arwen, o Aragorn quase morrendo o tempo inteiro, a fuga dos elfos no meio da guerra do anel (foi depois).

Apesar de tudo, se encarado separadamente do livro, o filme pode ser considerado muito bom. Trilha sonora adequada, personagens carismáticos, fotografia ótima, várias cenas emocionantes. Como fã da obra de Tolkien me decepcionei, mas como espectador comum me diverti.

Sunday, January 05, 2003

Hoje li Sonata a Kreutzer, de Leon Tolstói.

A novela fala sobre o relacionamento conjugal e é -- como parecem ser todos os textos de Tolstói -- repleto de análise psicológica e filosofia. Como se isso não fosse suficiente, o estilo é cheio de ironia, crítica social e ainda possui o primor pela descrição tão característico do escritor.

É o terceiro texto de Tolstói que leio (os outros dois foram A Morte de Ivan Ilitch e Senhores e Servos), e realmente tenho dificuldades em dizer qual é o melhor deles. Acho que diria Senhores e Servos, mas não sei exatamente porquê.

Os personagens de Tolstói são como uma desculpa para destrinchar a alma humana, servindo para analisar a consciência e os questionamentos de um ser humano naquela situação. No caso de Sonata a Kreutzer, paralelamente a isso, ele utiliza as idéias excêntricas do personagem para ter espaço para filosofar sobre os relacionamentos entre homem e mulher e o amor carnal.

Com isso, Guerra e Paz fura descaradamente a minha fila de livros por ler...
Boa parte do tempo das minhas férias é consumido com jogos do "Home of the Underdogs". Esta é a melhor página de abandonware que conheço, catalogando milhares de jogos segundo gênero, ano de publicação, softhouse, número de downloads, etc. Além disto, cada jogo tem uma resenha e os melhores são marcados como "top dogs" e apresentados no "Hall of the belated fame". É realmente impressionante a quantidade de jogos divertidíssimos que nunca ficaram famosos.

O último que joguei foi Celtic Tales: Balor of the Evil Eye. É um jogo de estratégia de 1995, desenvolvido pela KOEI. Para quem se interessa por mitologia celta, o título é imperdível. Você assume o papel de uma das "celebridades" da mitologia celta, sendo líder de uma tribo e comandando algumas províncias no início do jogo. Sua missão é unificar todas as províncias sob seu comando, política ou militarmente, para enfrentar o mal que assola a terra, liderado por Balor. Para isto, você comanda um conjunto de heróis na realização de uma ampla gama de tarefas, que vai desde o minério de metal até as batalhas contra as outras províncias. Controlando os druidas e bardos, você deve aprender a utilizar as runas para lançar uma série de magias. Heróis visitam suas províncias e você pode pedir a eles um poema, um ensinamento sobre magia ou uma boa briga, além de recrutar alguns para lhe auxiliar em sua causa. Quando seus atos forem dignos, Manu, a deusa que representa a mãe Terra, virá para lhe entregar algum item sagrado.
Ao longo do jogo e no manual você aprende muitas coisas sobre a mitologia celta, como a divisão do calendário, os feitos dos heróis e os ritos que os celtas realizavam.

Abaixo, uma história retirada do manual do jogo sobre um dos personagens mais queridos dos contadores de história irlandeses, Cuchulainn.

"When he was five, Cuchulainn left home to train with warriors in Emhain Macha. On the journey to his training grounds he carried a javelin, a hurling stick and a ball. He would throuh the ball in the air, hit it with the hurley, throw the hurley to hit the ball and drive it farther, throw the javelin to hit the hurley even farther and into the ball again, then run ahead and catch all three in mid-air."
Diz o Diário Popular de Pelotas, num 'especial' sobre física da edição de 05 de Janeiro de 2003:

'A terceira lei de Newton diz: "para cada ação há uma reação igual ou oposta."'

Mantendo seu compromisso com a informação precisa e sua tradição de informações confiáveis.
Pobre Newton. Não bastasse morrer virgem, ainda tem que agüentar estas infâmias.

Saturday, January 04, 2003

Estou entediado. Mais um post. Aguentem. Assisti "As Duas Torres" quinta-feira. Bem melhor que o primeiro, mais coeso e com mais conteúdo. Não vou fazer uma resenha textual, vou citar pontos fortes e fracos, não estou com paciência pra compor esses pontos em texto.

Pontos Fortes:

  • Batalha de Helm's Deep. Combate massivo. Demais. Bota o William Wallace no chinelo.

  • Legolas. Ele mostra que é um elfo, com toda a sua agilidade sobrehumana... Quem curtiu o "Arco e Flecha metralhadora" dele no primeiro filme vai delirar nesse...

  • Gollum/Smeágol. As discussões são o máximo.

  • Maior fidelidade nas personalidades (pra compensar as barbáries na história). Foram fiéis até mesmo na bichice Samwise-Frodo

  • A fala do Fangorn é lenta, bem como quis passar o livro...



Pontos Fracos:

  • Ordem cronológica. Tira toda a surpresa do filme. Eu preferia o estilo do livro, em que o resultado de uma ação aparecia para depois se explicar o que ocorreu...

  • Piadas de Anão. Após a enésima começa a perder a graça...

  • Não teve nem uma frase em Entês.

  • Aquele Ent "apressado" que eu esqueci o nome não aparece, o Fangorn fica com toda a ação.

  • O Saruman é muito claramente capacho do Servissauron. "O sub do sub", parafraseando alguém... Tenho a impressão dele ser mais ardiloso e menos capacho no livro...

Wednesday, January 01, 2003

OK, dois posts no mesmo dia. Estou entediado, e não há mais nada que eu possa fazer a não ser ficar escrevendo aqui. Suportem.

Certo tempo atrás assisti Lain. Finalmente consegui baixar uma versão com legendas. O desenho é extremamente adulto, e tem como pretexto (Animes adultos costumam ter um pretexto básico a partir do qual causam dor e sofrimento aos personagens e filosofam sobre vários assuntos. Por exemplo, o pretexto de EVA é uma briga de robozões contra bichões maus.) a gradual mistura do cyberespaço (chamado no desenho de Wired) com o mundo real. O assunto real do desenho é a busca de Lain ("A" Lain) por ela própria, o que ela é e porque ela existe.

A série é MUITO psicológica, cheia de decorações subliminares (por exemplo, todas as sombras têm manchas de sangue, o som dos transformadores de energia elétrica mostrando que a "Wired" está em toda a parte). Uma cena extremamente interessante é uma em um episódio do meio, sobre um jogo da Wired em primeira pessoa. Um garotinho está correndo assustado pelas ruas ("reais"). Aparece uma garotinha do lado dele, flutuando. Suas expressões mudam para um rosto meio contorcido, que o artista usa para indicar "fantasmas". O garoto saca sua arma "virtual", escolhe a "munição 7" ou algo do gênero, e atira na garotinha. É quando a Lain chega, e ele pergunta pra ela : "Você é uma PK também? Me ajude!". PK é um termo conhecido de RPGs e MUDs online, significa Player Killer. Paro por aqui a narrativa porque faz muito tempo que vi o desenho.

Infelizmente não posso contar mais do desenho sem correr o risco de contar demais. É exatamente a forma como o desenho se apresenta e informa do que se trata que o torna tão bom. Sem mais, é um dos melhores animes sérios que eu já vi.

A página Thought Experiments Lain contém uma resenha muito melhor que a minha, só não leiam após o aviso enorme de "SPOILERS AHEAD".
Depois de ver Angra em tudo quanto era programa de TV, e ver adesivos de "vampiromania" em CDs do Nightwish, ouvi essa semana na rádio uma música do Shaman. J. R. R. Tolkien é um sucesso de vendas. Evangelion também. De repente todos os meus gostos estão passando por um processo de massificação. Não sei se posso sobreviver a isso.

[Hoje descobri que uma faixa do Shaman, previsivelmente a única balada do CD, faz parte da trilha da novela "O Beijo do Vampiro". Alguém sabe se tem alguma música do Nightwish nessa trilha também?]

Danger, Will Robinson, Danger : Sarcasmo adiante

Felizmente existem pessoas desse tipo no mundo para evitar que eu deixe de ser segregado pelo que eu jogo (meu Deus [retórico], eu jogo Quake e RPG, devo ser o demônio em pessoa).

Monday, December 23, 2002

Homenagem natalina.

"Papai Noel Velho Batuta!

Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista
Presenteia os ricos
Cospe nos pobres

Nós vamos seqüestrá-lo
E vamos matá-lo
Por quê?!
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Por quê?!"

- Garotos Podres

Saturday, December 14, 2002

"I looked above on pure and sparkling stars. How lonely this, these guardian glassy spires with all their fast and golden squares of light cut in ranks run straight across and sharply down to score the airy blackness of the winter night, and here now comes the tyrant wind, whistling through crystalline canyons down across this small neglected bed where one forgotten demon lies, gazing with larcenous visions of a great soul at the city's emboldened lights on clouds above. Oh, little stars, how much I've hated you, and envied you that in the ghastly void you can with such determination plot your dogged course."

Trecho de "The Vampire Armand", da Anne Rice. Depois de alguns anos sem ler, estou "tirando o atraso" com as crônicas vampirescas. Faltam Merrick, Blood and Gold e Blackwood Farm. O Armand não é um personagem tão ruim quanto parecia ser, particularmente por causa da fé mutante mas inabalável que ele sustém. Bom livro (mas não leia sem ler antes os outros cinco da série).

Wednesday, December 11, 2002

Digam o que disserem contra os modernistas, mantenho minha opinião. Quem precisa de forma com um conteúdo destes?

"ELEGIA 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan."

- Carlos Drummond de Andrade, (1902-1987)

Saturday, December 07, 2002

"In Motion #1

kill me with your thoughts
use your mind
hand me over to this world
into death...

make me cry in vain
leave one tear
touch my face with your sigh
leave me against the stream
one hundred worlds will see me
passing by..."

- The Gathering

Friday, December 06, 2002

"Os tucanos também consideram o Fome Zero um projeto centralizador do Estado, que retira das famílias carentes a autonomia para utilizar da forma que lhe convier os recursos distribuídos."

O texto acima é parte da reportagem do Terra sobre a primeira manifestação da futura oposição tucana. Este discurso vazio dos políticos é deprimente. O termo "centralizador" é utilizado como se fosse pejorativo; e a autonomia: de que autonomia as famílias precisam para utilizar estes recursos (leia-se comer)?
O jogo do poder já começou. Esta "oposição" claramente tem o intuito de tirar a credibilidade do governo Lula e fortalecer a candidatura Aécio Neves 2006 (ele mesmo declarou algo que indica isto na reportagem).

Sunday, December 01, 2002

Saiu na Folha:

"Deputada do PT entrega charutos e confirma Fidel na posse de Lula"

É, Bush... O candidato "comunista" está começando a mostrar seus contatos com os "terroristas". Cuidado, hein?

Thursday, November 28, 2002

Saiu no Slashdot: Uma física na Universidade de Waterloo está bem perto de unificar a Teoria Quântica com a Teoria da Relatividade. A Scientific American tem um artigo sobre isso. Questão interessante levantada : Na teoria quântica, todas as variáveis são um "limbo" de probabilidades, que só se tornam reais quando são observadas. Assim sendo, quem observa o universo? Alguém certamente responderá "Deus". Ela tem outra opinião. Eu prefiro esperar antes de especular.

Sunday, November 24, 2002

Filmes

La Haine (O Ódio), de Mathieu Kassovitz - O filme que eu sou, segundo um destes testes, é um filme estranho. Os filmes europeus em geral me parecem estranhos. A estranheza deste reside na violência implícita. As ruas, os diálogos, as cores (preto e branco), tudo é hostil, duro e, de alguma forma, chocante. Apesar de vermos apenas dois tiros (compare com um filme policial americano), o filme é muito violento e agressivo. Não faz você se sentir bem, mas é bom.

Det Sjunde Inseglet (O Sétimo Selo), de Ingmar Bergman - O filme que o André é, segundo o mesmo teste, é um filme muito estranho. Se haviam mensagens escondidas, eu não percebi. Destaque para a caracterização da "Morte", com artifícios semelhantes aos que Neil Gaiman usa em Sandman: características de conceitos abstratos (Sonho, Morte, Destino, etc) traduzidas no comportamento dos personagens. Exemplos:
- Ingmar: "a Morte é traiçoeira", o que fica claro na cena em que ela se finge de padre e ouve a confissão do Cavaleiro;
- Gaiman: "o Sonho é enigmático", um dos traços mais claros de Sandman.
Filme interessante, mas aparentemente nada de mais.
"Redação" de um aluno de sétima série:

"O natal e uma selebrasão do nacimento de jesus que ser dounor um feriado que doda a familia se reune mais os amigos e vais uma sei de natal que damos presendes e gaiamos presendes istoramos japaem damos pregamo conversamos. E adoro o natal e muito bom o natal selepamas o namento de jesus e fasemos festas. Mais dem mais coisas soutamos, asedemos a missa. E muito bom. Mais que eu me esquesa dambem dem o vamoso papai Noel um velhilho que trais presente para todas griansas."

Este texto sustenta a opinião de Lygia Viégas sobre o "ensino continuado", programa que eliminou as reprovações no ensino básico de São Paulo. É realmente impressionante que alguém (Alckmin, governador do estado, por exemplo) tenha coragem de defender a tese de que o ensino público melhorou.

O triste é imaginar que nossos governantes são instruídos o suficiente para saber que a política neoliberal de cortar gastos na educação (meta real do programa) não é aplicável em um país subdesenvolvido. Como se espera desenvolvimento tecnológico e industrial sem conhecimento? Como se espera uma democracia efetiva se os indivíduos não compreendem minimamente o mundo em que vivem? Como se espera justiça social em uma sociedade repleta de ignorância e oportunismo?

Pro inferno com todos. "Ah, o terrorismo, a violência urbana! Que monstros!" Pois sim. O sistema cria os monstros e depois defende um "investimento em segurança". Muito conveniente sob o argumento (cantado por Renato Russo) de que "as guerras geram emprego, aumentam a produção".

Sinceramente, bom mesmo era o mundo do Velho Testamento, em que o poderoso Deus mandava anjos com espadas de fogo dos céus para exterminar os homens maus.

Sunday, November 17, 2002

Evil. Lembra-se daqueles emails que fazem análises numerológicas para concluir que a Microsoft, a Disney ou o gato do vizinho são a Besta? Sempre quis uma análise numerológica que diz que você é 100% Evil? Seus problemas acabaram!!!

evilfinder

Exemplos:

Renato Sousa
Thiago Hirai
André Lima

Tuesday, November 12, 2002

Neon Genesis Evangelion é certamente uma das melhores produções artísticas com que tive contato. O enigmático anime em seu "cenário futurístico pós-holocausto" é apenas pano de fundo para uma profunda caracterização psicológica, tecida com maestria. Apesar de perder para o anime nos aspectos "ação" e, obviamente, música, o mangá realça o contato do leitor com os personagens, dando mais tempo para que este reflita sobre as motivações de cada um.

Atenção, spoiler à frente! Na edição (brasileira) 11, um personagem secundário ganha destaque. O autor enfatiza os conflitos internos de Toji, deixa claro o medo que este sente, mostra o esforço do menino para entrar na batalha, motivado pela esperança de ajudar a irmã. Na 12 (nas bancas em São Paulo), são mostrados aspectos do cotidiano da vida dele, particularmente a afeição secreta que uma colega de classe nutre por ele. E, nesta edição, Toji morre. O protagonista, Shinji, presencia a cena extremamente violenta em que o sistema automático ("dummy plug") destrói, ignorando seus protestos, a unidade EVA em que se encontra seu amigo.

Ao final de "Tingindo o entardecer de negro...", a colega apaixonada aguarda, sem saber da funesta batalha, um impossível encontro com Toji. História forte. Muito boa.

Monday, November 04, 2002

Comprei o CD do Shaman hoje. A FNAC me faz gastar o dinheiro que não tenho. Paciência.

Shaman, pra quem não sabe, é a banda do ex-vocalista, do ex-baterista e do ex-baixista do Angra, com o irmão do último na guitarra. A comparação com a banda anterior é inevitável: O som do Shaman é mais pesado, e, apesar de permeado de instrumentos indígenas, perdeu um pouco das influências brasileiras no som (Holy Land está entre as minhas "obras de arte"). Apesar disso, o som é ótimo, e lembra bastante o som antigo do Angra, principalmente pelo vocal genial do André Matos. Depois de um CD mediano do "novo Angra", é um alívio saber que pelo menos uma parte da banda antiga manteve a qualidade...

Só gostaria de saber porque raios o nome Angra ficou com dois dos integrantes originais, enquanto os três restantes, incluindo o vocalista e compositor de boa parte das músicas, formaram outra banda, com bem menos atenção da mídia. Será que tem algo a ver com a orientação "pop" do "novo Angra"?

Friday, November 01, 2002

Thiago de Mello é um dos meus poetas favoritos. Versando muito sobre a vida, o amor e a fraternidade, traduz em palavras muitos dos meus pensamentos. Segue texto dele.


"OS FUNDAMENTOS

A lenda, porque lenda, é verdadeira.

Assim direi que, mesmo transmitida
por minha boca - pântano de enganos -
é de verdade a herança que te deixo.
Por verdadeira, cala sobre o temp
das coisas que ela conta acontecidas,
das quais nenhum sinal há sobre o mundo.

Só declaram seu tempo coisas findas,
as que perderam fala, mas gaguejam
quando, por loucos, vamos despertá-las
tão tristes nos seus túmulos abertos.
Os olhos imutáveis da verdade
pairando sobre o tempo nos espiam.

Pena. porém, não reste sombra ou rastro
do que, em campo de lenda, floresceu.
Por mais que se andem léguas e se escavem
planícies e penhascos se derrubem,
não se encontra um vestígio, além dos dois
que, irmãos da lenda, intatos permanecem:
o homem e o mundo - sempre recusados
porque são manifestos, são os únicos
sinais que provam todas as verdades.

A lenda, porque lenda, é verdadeira.
Pois o próprio das lendas é a verdade,
como próprio do amor que não se acabe,
que seja fundamento de si mesmo
e fundamente a vida de quem ama."

Faz Escuro mas eu canto, Thiago de Mello, 1926-?