Thursday, August 29, 2002

Acabo de descobrir Hilda Hilst, lendo o blog da Sam. Gostei.
Abaixo um poema dela:

"Ávidos de ter, homens e mulheres caminham pelas ruas.
As amigas sonâmbulas, invadidas de um novo a mais querer,
Se debruçam banais, sobre as vitrines curvas.
Uma pergunta brusca, enquanto tu caminhas pelas ruas.
Te pergunto: E a entranha?
De ti mesma, de um poder que te foi dado
Alguma coisa clara se fez? Ou porque tudo se perdeu
É que procuras nas vitrines curvas, tu mesma,
Possuída de sonho, tu mesma infinita, maga,
Tua aventura de ser, tão esquecida?
Por que não tentas esse poço de dentro
O incomensurável, um passeio veemente pela vida?

Teu outro rosto. Único. Primeiro. E encantada
De ter teu rosto verdadeiro, desejarias nada."

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Poemas aos Homens do nosso Tempo - XIII)

Tuesday, August 27, 2002

Um metacomentário (meta no nível do blog). Percebi hoje que o Gondolin agora é encontrado pelo mecanismo de busca do Google (que, a propósito, é uma das melhores coisas da Internet e um dos melhores softwares que já vi). Se você digitar "gondolin" e pedir as páginas em português, este será o primeiro sítio (o que vocês acham de sítio no lugar de site?) da lista. E o mais engraçado é: olhando hoje as páginas de onde este sítio foi referenciado, encontrei uma busca por relatório de laboratório de física. O que me deixa deveras impressionado com o fenômeno Internet.

Monday, August 26, 2002

Abaixo, a letra de uma das melhores músicas do disco 2 do último álbum do Dream Theater, minha recomendação cultural da semana. O disco 1 é uma coisa completamente experimental, muito estranha. Depois de ouvir uma dezena de vezes pode ser que você goste e pode ser que você odeie. O disco 2 é progressivo e é ótimo, muito bom mesmo. Lembra um pouco Pink Floyd.

Six Degrees of Inner Turbulence

6th Degree - Six Degrees of Inner Turbulence
music by Myung, Petrucci, Portnoy, Rudess

"VI. SOLITARY SHELL - [lyrics by John Petrucci] [05:47]

He seemed no different from the rest
Just a healthy normal boy
His mama always did her best
And he was daddy's pride and joy

He learned to walk and talk on time
But never cared much to be held
and steadily he would decline
Into his solitary shell

As a boy he was considered somewhat odd
Kept to himself most of the time
He would daydream in and out of his own world
but in every other way he was fine

He's a Monday morning lunatic
Disturbed from time to time
Lost within himself
In his solitary shell

A temporary catatonic
Madman on occasion
When will he break out
Of his solitary shell

He struggled to get through his day
He was helplessly behind
He poured himself onto the page
Writing for hours at a time

As a man he was a danger to himself
Fearful and sad most of the time
He was drifting in and out of sanity
But in every other way he was fine

He's a Monday morning lunatic
Disturbed from time to time
Lost within himself
In his solitary shell

A momentary maniac
With casual delusions
When will he be let out
Of his solitary shell"

Friday, August 23, 2002

Putz, gostei do resultado... É um filme de arte muito doido do Bergman. Assisti recentemente e acho que teve muita coisa que eu não entendi. Bastante filosófico.





Você é "O sétimo selo" de Ingmar Bergman. Você é intelectual, preocupado com ocultismos. E além de tudo é um mistério!!

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia



Um teste que encontrei no blog da Sam. Nunca vi o filme, mas agora fiquei curiosíssimo.




Você é "O ódio" de Mathieu Kassovitz. Você é inconformado(a), revoltado. Vive se metendo em brigas, mas tem muita atitude.

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia

Tuesday, August 20, 2002

Terminei de ler dois livros. Um ontem e um hoje. O primeiro é Ramsès, de um autor francês chamado Christian Jacq. Subcultura, mas diverte. Precisava de um livro em francês, esse livro tava barato, e eu tava curioso pra saber do que se tratava. Já sei.

O outro é A morte de Ivan Ilitch, do Tolstoi. Sarcasmo... sempre é bom alimentá-lo de vez em quando... O livro tem uma crítica bem legal entre o que é viver bem e viver como considera-se viver bem. Livro curto...

Ao que parece agora vou ter muito tempo para desafogar minha "fila de leitura". Aulas monótonas, professores que cobram freqüência. O do Tolstoi por exemplo, foi só nas aulas de hoje.
Um texto meu. O segundo a aparecer nesta página. O primeiro texto original que postei foi retirado por mim mesmo minutos depois por falta de qualidade. Às vezes posso ser excessivamente auto-crítico. [Prova disso, a cada vez q olhei o resultado final editei esse post. Já foram umas 4 ou 5 vezes...]

Antes do texto, uma explicação. Há muito tempo (3 ou 4 anos), escrevi um poema épico-lírico num tom meio infantil, chamado "{alguma coisa} Parte 1 - O Cavaleiro e a Deusa" (ou seria "O Cavaleiro e a Deusa - Parte 1"?). O que importa é: Após digitar, joguei a cópia em papel fora. Não queria que conhecidos lessem. Enviei o poema para uma lista de discussão (Arca-Trails). Com o tempo, formatei o HD algumas vezes, acabando com a cópia local do poema. Um dia a lista foi "reiniciada" com outro nome, e o histórico de mensagens do YahooGroups apagado. Fim das cópias do poema. O poema foi pro limbo dos poemas. Lembro vagamente da história e de uma ou duas frases.

Mas informação não pode ser apagada impunemente. No mínimo custa uma energia proporcional a k.T.ln2 (constante de Boltzmann vezes temperatura absoluta vezes logaritmo natural de 2) por bit de informação. É sério, tá numa lecture note de computação quântica do Preskill. Um tal de Landauer mostrou isso em 1961.

Devido a algumas conversas recentes, me lembrei deste poema este fim de semana. Resolvi terminar o iniciado, mas mudando de estilo. Inspirado por um blog bastante melancólico que li [Diga-se de passagem, o visual da página é muito adequado, achei as figuras o máximo...], resolvi dar um final mais "dark" ao poema. Novamente a auto-crítica falou mais alto, e não consegui aceitar os versos que escrevia. Como precisava escrever, fiz uma narração.

Infelizmente o estilo é meio "ausência de estilo". Parágrafos curtos, palavras soltas... Tão pouco estilo que chega a ser quase modernista (Sarcasm is your friend). Mas narrações não são o meu forte, e estou satisfeito com o resultado.

Finalmente, o título do texto é o nome de uma magia do RPG Ars Magica. O texto é bastante metafórico, então achei adequado. O outro título (também roubado e em língua estrangeira) vem do nome de uma música da trilha sonora de End of Evangelion.

Espero que o Blogger aceite esse post imenso.

Recollection of Memories Never Quite Lived (Komm Süsser Tod)



Sangue tinge minha espada. O inimigo foi massacrado. Com a proteção Dela, nossa ordem é invencível. Congratulo meus companheiros de batalha, e me dirijo à minha tenda. Preciso agradecer à verdadeira responsável pela vitória, amante secreta e protetora.

Silêncio. Imploro por sua presença. Silêncio. Imagino que ela esteja irritada. Não imagino por que. Ainda silêncio.

Típico. Não de uma divindade, mas de uma mulher. Após este comentário irônico, ela finalmente decide me responder. Porém, ao invés da ironia doce habitual, uma voz séria.

Por que a reprovação, me pergunto. Não fiz meu dever? Restaurei a ordem, venci. Qual o meu erro?

Ciúmes. Típico. Ciúmes de minha ordem, da batalha em si. Lutei em seu nome, mas minha motivação era outra. A batalha, pura e simples. Ela sabe, e, mais mulher que nunca, é incapaz de suportar o fato de não ser minha senhora absoluta.

Silêncio novamente. Abandonado. Sei que é permanente. Saio da tenda e vejo uma confraternização. Me junto a meus companheiros. Vinho para alegrar o espírito. Vinho para esquecer. Vinho para fugir.

Agora todos dormem. Nestas horas costumava conversar com ela. Pego minha espada e resolvo seguir meu caminho. Sozinho.

O sangue ainda em minha espada, já seco. Me sinto mais confortável assim. A mancha escura me lembra da batalha, do prazer da batalha. Mas também me lembra dela. Resolvo limpar a mancha. O brilho da espada reflete um sorriso.

Não, não é ela. É a Morte que sorri pra mim. E finalmente a entendo. E ela me entende. Entende meu amor pela batalha. Sinto falta do sangue em minha espada.

.....

Sangue novamente. Fresco e vermelho. Minha nova senhora sorri pra mim. Vejo um vilarejo à distância, e, deixando para trás os cadáveres de meus companheiros, parto rumo a um novo massacre.

Nasce a Besta.

Friday, August 16, 2002

Votarei no Lula, está decidido. O Ciro tinha ganho um pouco da minha simpatia, mas perdeu. Inclusive pelo comportamento dele, como a Raquel bem comentou recentemente.
O fator novo, que foi decisivo, foi ouvir a opinião de um professor do Instituto de Economia da Unicamp, o Vasco. Ele falou sobre um assunto que é um pouco difícil para o cidadão comum, sem muito conhecimento de economia e das dinâmicas que a regem, conhecer: disse que o programa de governo do Lula aparenta ser viável, enquanto o do Ciro contém muitos ítens duvidosos ou absurdos. Disse também que votará no Lula. Eu comecei a ler os programas de governo hoje e, sinceramente, acho que o material elaborado pelo PT está bem mais fundamentado. Claro que esta é uma opinião leiga, influenciada ainda pela autoridade de outra opinião, mas mesmo assim tentei fazer uma análise crítica.
O outro fator, que já me fazia preferir o Lula é que, em termos de princípios, ele é mais confiável. Tudo bem que isso não implique necessariamente em um governo voltado de fato para os interesses da nação (vide o sr. FHC ex-marxista), mas é um bom parâmetro. Pelo histórico dele, pelo próprio caráter contestador e defensor dos direitos do povo do partido, eu esperaria de todos (Ciro, Serra), menos dele, uma "traição". Resumindo, se eu tivesse que por a mão no fogo por um deles, poria no Lula.
Recomendo fortemente a análise dos programas dos dois candidatos. O do Lula está linkado acima e o do Ciro pode ser encontrado aqui. Exerçam sua cidadania e sua capacidade crítica, comentem o que acharam disto. Eu acho que política se discute sim, e muito. O ser humano é um ser social e, conseqüentemente, político.

Tuesday, August 13, 2002

Completamente acultural isso. Mas é engraçado.
Coisas inusitadas:
- Antes do show do Blind Guardian, pára a música para um aviso: favor desligar seus celulares. Todos riem.
- Um dia desses, na cantina do Insituto de Biologia aqui na Unicamp; o atendente da cantina e dois conhecidos:
Atendente: "Sem salada?"
Cara: "É, como sempre."
Amigo: "Come salada, faz bem pra você."
Cara: "Nem."
Amigo: "Por quê?"
Cara: "Diminui meu nível trófico."

Monday, August 12, 2002

Dois escritores que li pela primeira vez recentemente: Kafka e Guy de Maupassant. O estilo é "realismo fantástico" (não sei se este é o nome ortodoxo para o estilo), e esta expressão diz tudo. Sinceramente eu esperava mais do Kafka, pois eu sempre ouvi falar dele com os maiores elogios. Talvez pelo fato de eu já conhecer a base de "A Metamorfose" não tenha sido surpreendente. É interessante, claro, e a idéia de descrever o absurdo com naturalidade realmente é original. Mas acho que não existe nada além disso. Alguns dirão que é absurdo querer mais, mas eu queria. Estou com "O Processo" em casa, daqui a algumas semanas descubro se há algo a mais. O Guy de Maupassant, pelo que comentaram comigo, é considerado um dos melhores entre os não-mestres. Algo como o melhor segundo violinista de uma orquestra, creio. Li uma coletânea de contos dele e achei boa. Ele trata o fantástico sob perspectivas mais humanas, muito próximas da loucura. Um dos contos mais famosos, "O Horla", particularmente na versão escrita em primeira pessoa, é de fato muito bom. Para quem queria uma sugestão diferente do usual, aí está.
No sábado visitei o Via Funchal, em São Paulo, para ver o show do Blind Guardian. A casa de shows faz jus à fama, é a melhor que já visitei. Acústica ótima (som vindo de todos os lados e sem distorção nenhuma), pista bem feita. O show foi praticamente perfeito. O bateirista oficial se machucou e não pode vir, mas foi bem substituído pelo batera do Rhapsody.
Tocaram poucas músicas do álbum novo, o que foi bem adequado porque muitas delas não são boas para show e outras tantas tem um "coral de fundo" que não teria como fazer ao vivo. Das antigas, tocaram quase todas as minhas preferidas. Pra mim só faltou mesmo "Time Stand Still", que fala da batalha de Fingolfin contra Morgoth, minha cena preferida do Tolkien. O público conhecia as músicas e acompanhou quase todas. Cantaram "Happy birthday" e "Parabéns a você" para o Hansi, que estava de aniversário. Destaque para "The Bard's Song", cantada do início ao fim pela platéia inteira. O vocalista inclusive parou de cantar durante uma boa parte da música porque ficou emocionado. E o melhor, como sempre, no final: Mirror Mirror, a música que me fez começar a ouvir BG e que, por sinal, tem tudo a ver com Gondolin. Certamente uma das minhas músicas preferidas. Para quem não conhece a banda, é uma ótima forma de começar.
Abaixo a letra de "The Bard's Song". Emocionante.

"Now you all know
The bards and their songs
When hours have gone by
I'll close my eyes
In a world far away
We may meet again
But now hear my song
About the dawn of the night
Let's sing the bards' song

Tomorrow will take us away
Far from home
No one will ever know our names
But the bards' songs will remain
Tomorrow will take it away
The fear of today
It will be gone
Due to our magic songs

There's only one song
Left in my mind
Tales of a brave man
Who lived far from here
Now the bard songs are over
And it's time to leave
No one should ask you for the name
Of the one
Who tells the story

Tomorrow will take us away
Far from home
No one will ever know our names
But the bards' songs will remain
Tomorrow all will be known
And you're not alone
So don't be afraid
In the dark and cold
'Cause the bards' songs will remain
They all will remain

In my thoughts and in my dreams
They're always in my mind
These songs of hobbits, dwarves and men
And elves
Come close your eyes
You can see them too"

Monday, August 05, 2002

Assisti na sexta Minority Report e no domingo Um grande garoto. Gostei dos dois. Tudo que eu entendo de cinema são as minhas impressões, então não esperem encontrar comentários técnicos ou críticos ou qualquer outra coisa elaborada abaixo. E se você ainda não viu os filmes e não gosta de saber como são, pare de ler aqui.
O roteiro do primeiro é simples, ou mesmo simplório. Os efeitos são bons, embora o cenário futurista pareça, à primeira vista, exagerado. O que me fez gostar do filme foi a mensagem repetida algumas vezes "you have choice", deixando claro que o futuro depende de nós, não está determinado.
O segundo tem uma história meio boba, mas uma trilha sonora bem colocada e um elenco bom. E tem uns comentários engraçadíssimos do protagonista, que é um cara total e reconhecidamente superficial. Daqueles filmes para você sair feliz do cinema, porque, apesar de bobo, é alegre e é bonito o que ele tenta passar.
Terminei ontem o segundo livro que leio de Lewis Carrol, (o primeiro foi Alice's Adventures in Wonderland), Through the Looking-Glass (and what Alice found there). Não é nada de muito especial, mas é bom em vários aspectos. Para quem gosta de nonsense é ótimo. Parece um sonho, com todos os elementos absurdos e quase reais. Uma das coisas que eu achei mais interessante é o fato de, em muitas cenas, os personagens serem "coerentes em seu nonsense" e a Alice parecer errada ou louca. Exemplo:

`Come, we shall have some fun now!` thought Alice, `I'm glad they've begun asking riddles - I believe I can guess that,` she added aloud.
`Do you mean that you think you can find out the answer to it?` said the March Hare.
`Exactly so,` said Alice.
`Then you should say what you mean,` the March Hare went on.
`I do,` Alice hastily replied; `at least - at least I mean what I say - that's the same thing, you know.`
`Not the same thing a bit!` said the Hatter. `Why, you might just as well say that "I see what I eat" is the same thing as "I eat what I see"!`
`You might just as well say,` added the March Hare, `that "I like what I get" is the same thing as "I get what I like"!"
`You might just as well say,` added the Dormouse, which seemed to be talking in its sleep, `that "I breathe when I sleep" is the same thing as "I sleep when I breathe"!`

Se bem que isto é do primeiro livro e nem foi um exemplo assim tão bom.
O final do livro é um poema (lembram que o outro também começou com um?) que eu acho que foi exatamente o espírito do autor ao escrever o livro. Acho que lerei esta coisa para os meus filhos...

"A boat, beneath a sunny sky
Lingering onward dreamily
In an evening of July -

Children three that nestle near,
Eager eye and willing ear,
Pleased a simple tale to hear -

Long has paled that sunny sky:
Echoes fade and memories die:
Autumn frosts have slain July.

Sitll she haunts me, phantomwise,
Alice moving under skies
Never seen by waking eyes.

Children yet, the tale to hear,
Eager eye and willing ear,
Lovingly shall nestle near.

In a Wonderland they lie,
Dreaming as the days go by,
Dreaming as the summers die:

Ever drifting down the stream -
Lingering in the golden gleam -
Life, what is it but a dream?"

Wednesday, July 31, 2002

Um protesto cultural hoje. Lembrando de um comentário da Sam e de uma notícia que li recentemente, resolvi comentar o assunto.
Se o leitor entrar na página da Academia Brasileira de Letras, encontrará o seguinte texto:

"A Academia, trabalhando pelo conhecimento [...], buscará ser, com tempo, a guarda da nossa língua. Caber-lhe-á então defendê-la daquilo que não venha das fontes legítimas, - o povo e os escritores, - não confundindo a moda, que perece, com o moderno, que vivifica. Guardar não é impor; nenhum de vós tem para si que a Academia decrete fórmulas. E depois, para guardar uma língua, é preciso que ela se guarde também a si mesma, e o melhor dos processos é ainda a composição e a conservação de obras clássicas."

Machado de Assis,
Academia Brasileira de Letras
7 de dezembro de 1897

Pergunto-me eu, pobre mortal, distante dos grandes criadores da nossa língua materna: que terá acontecido para acolherem um escritor medíocre como Paulo Coelho? Os que já leram algum livro dele hão de concordar sobre a mediocridade. Histórias "de novela", com um tom místico (que por sinal, ele aparentemente adora assumir), sem estilo. Onde fica a guarda da língua, a proteção contra a moda? Se o Pitanguy já era controverso (e este eu nem discuto, já que nunca li um livro dele), que dizer deste indivíduo? E ainda tem o fato de não aceitarem o Vinícius...

Sunday, July 28, 2002

Resolvi falar de música... Mais precisamente, de Chico Buarque, talvez o maior compositor da MPB, certamente o maior letrista. Decidi não colocar uma música de crítica social ou à ditadura, porque às vezes as pessoas pensam que isso é a única coisa que ele sabe fazer de bom (não que isso não seja legal).

Então eis aqui um samba simples, mas muito legal, com uma letra bem trabalhada. É do começo da carreira dele. Pena que não dá pra colocar a música, porque a melodia é muito boa.

Januária
(Chico Buarque/1967)

Toda gente homenageia
Januária na janela
Até o mar faz maré cheia
Pra chegar mais perto dela
O pessoal desce na areia
E batuca por aquela
Que, malvada, se penteia
E não escuta quem apela

Quem madruga sempre encontra
Januária na janela
Mesmo o sol quando desponta
Logo aponta os lados dela
Ela faz que não dá conta
De sua graça tão singela
O pessoal se desaponta
Vai pro mar levanta vela

Friday, July 26, 2002

Obrigado.

Como é bom quando alguém diz que o final de um livro ou filme é surpreendente. Com o Sexto Sentido, não me contaram o fim, mas de tanto dizerem que era surpreendente eu concluí o mesmo [eu quis dizer descobri o final. só após enviar o texto percebi que estava extremamente ambíguo]. . E até hoje não assisti o filme. Estou certo que no meio do Crime e Castigo, quando criar coragem para lê-lo, eu já saberei o final só pelo fato de ser surpreendente. Gostaria de deixar claro que não estou de mau humor, e estou apenas sendo sarcástico.

Quanto à Alice, um ótimo livro. Bastante irônico, e com um enredo muito interessante. Segue meu trecho preferido, que se adequa à maioria dos meios sociais que freqüento :

'But I don't want to go among mad people,' Alice remarked.
'Oh, you can't help that,' said the Cat: 'we're all mad here. I'm mad. You're mad.'
'How do you know I'm mad?' said Alice.
'You must be,' said the Cat, 'or you wouldn't have come here.'

(Lewis Carroll, Alice in Wonderland)
Terminei de ler, hoje pela manhã, Crime e Castigo, do Dostoievski. Muito bom. O conflito entre bem e mal, temática do livro, aparece não apenas na personagem principal, Raskolnikov, como também em quase todas as outras personagens. O final me surpreendeu, e gostei da surpresa. Recomendo.
Após a leitura, senti vontade de escrever. Já tinha comentado esse tema vagamente em uma conversa com a Dani. Além disso, recebi um elogio recentemente da Sam e li ontem um conto interessante do Leonardo. Acho que estes três fatores me estimularam bastante.
Este é o meu primeiro conto. Não escrevo um texto narrativo desde o primeiro grau. Me habituei às dissertações e nunca mais treinei nem estudei narração. Espero, desta forma, justificar eventuais falhas no texto. Todo tipo de comentário é bem-vindo. Peço que me digam sinceramente o que acharam.

Criei uma cópia do conto, já que os servidores do Instituto de Computação não andam muito estáveis.

Thursday, July 25, 2002

Devido a um impulso repentino motivado por uma leitura de um texto da Raquel, fui agora há pouco até a bilbioteca do Instituto de Estudos da Linguagem aqui da Unicamp e peguei Alice's adventures in Wonderland and Through the looking-glass, o clássico de Lewis Carroll. Há muito eu queria lê-lo e agora estou decidido. Comentarei minhas impressões quando terminar. Abaixo, o poema que inicia o livro.

All in the golden afternoon
Full leisurely we glide;
For both our oars, with little skill,
By little arms are plied,
White little hands make vain pretence
Our wanderings to guide.

Ah, cruel Three! In such a hour,
Beneath such dreamy weather,
To beg a tale of breath too weak
To stir the tiniest feather!
Yet what can one poor voice avail
Against three tongues together?

Imperious Prima flashes forth
Her edict 'to begin it':
In gentler tones Secunda hopes
'There will be nonsense in it!'
While Tertia interrupts the tale
Not more than once a minute.

Anon, to sudden silence won,
In fancy they pursue
The dream-child moving through a land
Of wonders wild and new,
In friendly chat with bird or beast -
And half believe it true.

And ever, as the story drained
The wells of fancy dry,
And faintly strove that weary one
To put the subject by,
'The rest next time -' 'It is next time!'
The happy voices cry.

Thus grew the tale of Wonderland:
Thus slowly, one by one,
Its quaint events were hammered out -
And now the tale is done,
And home we steer, a merry crew,
Beneath the setting sun.

Alice! A childish story take,
And, with a gentle hand,
Lay it where Childhood's dream are twined
In Memory's mystic band,
Like pilgrim's wither'd wreath of flowers
Pluck'd in a far-off land.
"Alguem certamente havia caluniado Josef K., pois uma manha ele foi detido sem ter feito mal algum."

Com essas palavras Franz Kafka inicia o romance O Processo, uma das obras mais importantes da literatura universal, ainda que inacabada.

O livro conta a historia de um homem que, apos ser processado sem saber por que motivo ou por quem, tem sua vida totalmente modificada. Com uma atmosfera genuinamente kafkiana e repleto de ironia, o romance retrata a alienacao e a burocracia que circundam os tribunais, alem da angustia do acusado.

Tuesday, July 23, 2002

E um do Vinícius, que acabei de conhecer. Curtinho e divertido.

POÉTICA

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço -
Meu tempo é quando.

Vinicius de Moraes, 1913-1980