Thursday, November 28, 2002
Saiu no Slashdot: Uma física na Universidade de Waterloo está bem perto de unificar a Teoria Quântica com a Teoria da Relatividade. A Scientific American tem um artigo sobre isso. Questão interessante levantada : Na teoria quântica, todas as variáveis são um "limbo" de probabilidades, que só se tornam reais quando são observadas. Assim sendo, quem observa o universo? Alguém certamente responderá "Deus". Ela tem outra opinião. Eu prefiro esperar antes de especular.
Sunday, November 24, 2002
Filmes
La Haine (O Ódio), de Mathieu Kassovitz - O filme que eu sou, segundo um destes testes, é um filme estranho. Os filmes europeus em geral me parecem estranhos. A estranheza deste reside na violência implícita. As ruas, os diálogos, as cores (preto e branco), tudo é hostil, duro e, de alguma forma, chocante. Apesar de vermos apenas dois tiros (compare com um filme policial americano), o filme é muito violento e agressivo. Não faz você se sentir bem, mas é bom.
Det Sjunde Inseglet (O Sétimo Selo), de Ingmar Bergman - O filme que o André é, segundo o mesmo teste, é um filme muito estranho. Se haviam mensagens escondidas, eu não percebi. Destaque para a caracterização da "Morte", com artifícios semelhantes aos que Neil Gaiman usa em Sandman: características de conceitos abstratos (Sonho, Morte, Destino, etc) traduzidas no comportamento dos personagens. Exemplos:
- Ingmar: "a Morte é traiçoeira", o que fica claro na cena em que ela se finge de padre e ouve a confissão do Cavaleiro;
- Gaiman: "o Sonho é enigmático", um dos traços mais claros de Sandman.
Filme interessante, mas aparentemente nada de mais.
La Haine (O Ódio), de Mathieu Kassovitz - O filme que eu sou, segundo um destes testes, é um filme estranho. Os filmes europeus em geral me parecem estranhos. A estranheza deste reside na violência implícita. As ruas, os diálogos, as cores (preto e branco), tudo é hostil, duro e, de alguma forma, chocante. Apesar de vermos apenas dois tiros (compare com um filme policial americano), o filme é muito violento e agressivo. Não faz você se sentir bem, mas é bom.
Det Sjunde Inseglet (O Sétimo Selo), de Ingmar Bergman - O filme que o André é, segundo o mesmo teste, é um filme muito estranho. Se haviam mensagens escondidas, eu não percebi. Destaque para a caracterização da "Morte", com artifícios semelhantes aos que Neil Gaiman usa em Sandman: características de conceitos abstratos (Sonho, Morte, Destino, etc) traduzidas no comportamento dos personagens. Exemplos:
- Ingmar: "a Morte é traiçoeira", o que fica claro na cena em que ela se finge de padre e ouve a confissão do Cavaleiro;
- Gaiman: "o Sonho é enigmático", um dos traços mais claros de Sandman.
Filme interessante, mas aparentemente nada de mais.
"Redação" de um aluno de sétima série:
"O natal e uma selebrasão do nacimento de jesus que ser dounor um feriado que doda a familia se reune mais os amigos e vais uma sei de natal que damos presendes e gaiamos presendes istoramos japaem damos pregamo conversamos. E adoro o natal e muito bom o natal selepamas o namento de jesus e fasemos festas. Mais dem mais coisas soutamos, asedemos a missa. E muito bom. Mais que eu me esquesa dambem dem o vamoso papai Noel um velhilho que trais presente para todas griansas."
Este texto sustenta a opinião de Lygia Viégas sobre o "ensino continuado", programa que eliminou as reprovações no ensino básico de São Paulo. É realmente impressionante que alguém (Alckmin, governador do estado, por exemplo) tenha coragem de defender a tese de que o ensino público melhorou.
O triste é imaginar que nossos governantes são instruídos o suficiente para saber que a política neoliberal de cortar gastos na educação (meta real do programa) não é aplicável em um país subdesenvolvido. Como se espera desenvolvimento tecnológico e industrial sem conhecimento? Como se espera uma democracia efetiva se os indivíduos não compreendem minimamente o mundo em que vivem? Como se espera justiça social em uma sociedade repleta de ignorância e oportunismo?
Pro inferno com todos. "Ah, o terrorismo, a violência urbana! Que monstros!" Pois sim. O sistema cria os monstros e depois defende um "investimento em segurança". Muito conveniente sob o argumento (cantado por Renato Russo) de que "as guerras geram emprego, aumentam a produção".
Sinceramente, bom mesmo era o mundo do Velho Testamento, em que o poderoso Deus mandava anjos com espadas de fogo dos céus para exterminar os homens maus.
"O natal e uma selebrasão do nacimento de jesus que ser dounor um feriado que doda a familia se reune mais os amigos e vais uma sei de natal que damos presendes e gaiamos presendes istoramos japaem damos pregamo conversamos. E adoro o natal e muito bom o natal selepamas o namento de jesus e fasemos festas. Mais dem mais coisas soutamos, asedemos a missa. E muito bom. Mais que eu me esquesa dambem dem o vamoso papai Noel um velhilho que trais presente para todas griansas."
Este texto sustenta a opinião de Lygia Viégas sobre o "ensino continuado", programa que eliminou as reprovações no ensino básico de São Paulo. É realmente impressionante que alguém (Alckmin, governador do estado, por exemplo) tenha coragem de defender a tese de que o ensino público melhorou.
O triste é imaginar que nossos governantes são instruídos o suficiente para saber que a política neoliberal de cortar gastos na educação (meta real do programa) não é aplicável em um país subdesenvolvido. Como se espera desenvolvimento tecnológico e industrial sem conhecimento? Como se espera uma democracia efetiva se os indivíduos não compreendem minimamente o mundo em que vivem? Como se espera justiça social em uma sociedade repleta de ignorância e oportunismo?
Pro inferno com todos. "Ah, o terrorismo, a violência urbana! Que monstros!" Pois sim. O sistema cria os monstros e depois defende um "investimento em segurança". Muito conveniente sob o argumento (cantado por Renato Russo) de que "as guerras geram emprego, aumentam a produção".
Sinceramente, bom mesmo era o mundo do Velho Testamento, em que o poderoso Deus mandava anjos com espadas de fogo dos céus para exterminar os homens maus.
Sunday, November 17, 2002
Evil. Lembra-se daqueles emails que fazem análises numerológicas para concluir que a Microsoft, a Disney ou o gato do vizinho são a Besta? Sempre quis uma análise numerológica que diz que você é 100% Evil? Seus problemas acabaram!!!
evilfinder
Exemplos:
Renato Sousa
Thiago Hirai
André Lima
evilfinder
Exemplos:
Renato Sousa
Thiago Hirai
André Lima
Tuesday, November 12, 2002
Neon Genesis Evangelion é certamente uma das melhores produções artísticas com que tive contato. O enigmático anime em seu "cenário futurístico pós-holocausto" é apenas pano de fundo para uma profunda caracterização psicológica, tecida com maestria. Apesar de perder para o anime nos aspectos "ação" e, obviamente, música, o mangá realça o contato do leitor com os personagens, dando mais tempo para que este reflita sobre as motivações de cada um.
Atenção, spoiler à frente! Na edição (brasileira) 11, um personagem secundário ganha destaque. O autor enfatiza os conflitos internos de Toji, deixa claro o medo que este sente, mostra o esforço do menino para entrar na batalha, motivado pela esperança de ajudar a irmã. Na 12 (nas bancas em São Paulo), são mostrados aspectos do cotidiano da vida dele, particularmente a afeição secreta que uma colega de classe nutre por ele. E, nesta edição, Toji morre. O protagonista, Shinji, presencia a cena extremamente violenta em que o sistema automático ("dummy plug") destrói, ignorando seus protestos, a unidade EVA em que se encontra seu amigo.
Ao final de "Tingindo o entardecer de negro...", a colega apaixonada aguarda, sem saber da funesta batalha, um impossível encontro com Toji. História forte. Muito boa.
Atenção, spoiler à frente! Na edição (brasileira) 11, um personagem secundário ganha destaque. O autor enfatiza os conflitos internos de Toji, deixa claro o medo que este sente, mostra o esforço do menino para entrar na batalha, motivado pela esperança de ajudar a irmã. Na 12 (nas bancas em São Paulo), são mostrados aspectos do cotidiano da vida dele, particularmente a afeição secreta que uma colega de classe nutre por ele. E, nesta edição, Toji morre. O protagonista, Shinji, presencia a cena extremamente violenta em que o sistema automático ("dummy plug") destrói, ignorando seus protestos, a unidade EVA em que se encontra seu amigo.
Ao final de "Tingindo o entardecer de negro...", a colega apaixonada aguarda, sem saber da funesta batalha, um impossível encontro com Toji. História forte. Muito boa.
Monday, November 04, 2002
Comprei o CD do Shaman hoje. A FNAC me faz gastar o dinheiro que não tenho. Paciência.
Shaman, pra quem não sabe, é a banda do ex-vocalista, do ex-baterista e do ex-baixista do Angra, com o irmão do último na guitarra. A comparação com a banda anterior é inevitável: O som do Shaman é mais pesado, e, apesar de permeado de instrumentos indígenas, perdeu um pouco das influências brasileiras no som (Holy Land está entre as minhas "obras de arte"). Apesar disso, o som é ótimo, e lembra bastante o som antigo do Angra, principalmente pelo vocal genial do André Matos. Depois de um CD mediano do "novo Angra", é um alívio saber que pelo menos uma parte da banda antiga manteve a qualidade...
Só gostaria de saber porque raios o nome Angra ficou com dois dos integrantes originais, enquanto os três restantes, incluindo o vocalista e compositor de boa parte das músicas, formaram outra banda, com bem menos atenção da mídia. Será que tem algo a ver com a orientação "pop" do "novo Angra"?
Shaman, pra quem não sabe, é a banda do ex-vocalista, do ex-baterista e do ex-baixista do Angra, com o irmão do último na guitarra. A comparação com a banda anterior é inevitável: O som do Shaman é mais pesado, e, apesar de permeado de instrumentos indígenas, perdeu um pouco das influências brasileiras no som (Holy Land está entre as minhas "obras de arte"). Apesar disso, o som é ótimo, e lembra bastante o som antigo do Angra, principalmente pelo vocal genial do André Matos. Depois de um CD mediano do "novo Angra", é um alívio saber que pelo menos uma parte da banda antiga manteve a qualidade...
Só gostaria de saber porque raios o nome Angra ficou com dois dos integrantes originais, enquanto os três restantes, incluindo o vocalista e compositor de boa parte das músicas, formaram outra banda, com bem menos atenção da mídia. Será que tem algo a ver com a orientação "pop" do "novo Angra"?
Friday, November 01, 2002
Thiago de Mello é um dos meus poetas favoritos. Versando muito sobre a vida, o amor e a fraternidade, traduz em palavras muitos dos meus pensamentos. Segue texto dele.
"OS FUNDAMENTOS
A lenda, porque lenda, é verdadeira.
Assim direi que, mesmo transmitida
por minha boca - pântano de enganos -
é de verdade a herança que te deixo.
Por verdadeira, cala sobre o temp
das coisas que ela conta acontecidas,
das quais nenhum sinal há sobre o mundo.
Só declaram seu tempo coisas findas,
as que perderam fala, mas gaguejam
quando, por loucos, vamos despertá-las
tão tristes nos seus túmulos abertos.
Os olhos imutáveis da verdade
pairando sobre o tempo nos espiam.
Pena. porém, não reste sombra ou rastro
do que, em campo de lenda, floresceu.
Por mais que se andem léguas e se escavem
planícies e penhascos se derrubem,
não se encontra um vestígio, além dos dois
que, irmãos da lenda, intatos permanecem:
o homem e o mundo - sempre recusados
porque são manifestos, são os únicos
sinais que provam todas as verdades.
A lenda, porque lenda, é verdadeira.
Pois o próprio das lendas é a verdade,
como próprio do amor que não se acabe,
que seja fundamento de si mesmo
e fundamente a vida de quem ama."
Faz Escuro mas eu canto, Thiago de Mello, 1926-?
Wednesday, October 30, 2002
Comentário técnico. Substituí o eNetation (que eh lento, sai do ar o tempo inteiro e não funciona direito com o netscape) pelo HaloScan. Os comentários anteriores foram perdidos. Sinto muito, é o preço do progresso.
Tuesday, October 29, 2002
Iä! Shub-Niggurath! Recentemente ouvi a versão da banda The Sins of Thy Beloved (Gothic/Death Metal) do clássico do Metallica "The Thing That Should Not Be". Foi o suficiente pra acordar meu interesse por Lovecraft. Há algum tempo atrás, havia lido todos os textos disponíveis online em duas semanas, nas férias. Revisitando a Lovecraft Library percebi que haviam sido colocados online os textos escritos em colaboração com outros autores, os quais estou lendo atualmente. Por isso não dormi esta noite.
Várias coisas fazem de Lovecraft um grande escritor de horror. A mais valorizada é a capacidade de criar a partir de citações vagas uma mitologia de coesão incrível. Adicionando ainda mais credibilidade, ele não se importava quando seus mitos eram citados em outras histórias, e incluía em suas próprias histórias os mitos de outros escritores. Assim, criou-se o Cthulhu Mythos, uma mitologia que apesar de declaradamente fictícia, inspirou seguidores legítimos, e influenciou seitas como o Satanismo e a Magia Negra, que incluem alguns de seus elementos. De seu livro assumidamente fictício, o Necronomicon, foram lançadas várias falsificações.
Além disso, a interação gradual destes mitos com os protagonistas, que invariavelmente enlouquecem pelo conhecimento que não deveriam ter, criam um clima de medo fantástico. Contribui ainda para este clima o estilo do autor, com frases longas, com vários adjetivos e advérbios, muitos destes arcaicos. Finalmente, a ambientação na Nova Inglaterra (criando as cidades de Arkham (sim, o asilo de Gotham City, e a própria Gotham City foram inspiradas aqui), com a Miskatonic University, Innsmouth, Dunwich e Kingsport por exemplo), e a interação com lugarejos decadentes, aldeões taciturnos e cultistas enlouquecidos completam o cenário.
Finalmente, o uso comum de descobertas científicas recentes à época (como a teoria da relatividade e o planeta Plutão/Yuggoth), contrastando com sua mente aberta ao extremo, que considerava o conhecimento humano ínfimo comparado aos mistérios do universo. Destaque para conceitos utilizados em suas histórias e somente após a sua morte incluídos na ciência "séria", como a noção de universos paralelos (Through the Gates of the Silver Key), a noção da observação/medição como elemento de alteração do sistema (The Haunter of the Dark), e a citação em 1929-30 do lanternas movidas a energia atômica (The Mound).
Para terminar, a indicação do meu candidato a presidente. Why vote for the lesser evil?Cthulhu fhtagn.
Várias coisas fazem de Lovecraft um grande escritor de horror. A mais valorizada é a capacidade de criar a partir de citações vagas uma mitologia de coesão incrível. Adicionando ainda mais credibilidade, ele não se importava quando seus mitos eram citados em outras histórias, e incluía em suas próprias histórias os mitos de outros escritores. Assim, criou-se o Cthulhu Mythos, uma mitologia que apesar de declaradamente fictícia, inspirou seguidores legítimos, e influenciou seitas como o Satanismo e a Magia Negra, que incluem alguns de seus elementos. De seu livro assumidamente fictício, o Necronomicon, foram lançadas várias falsificações.
Além disso, a interação gradual destes mitos com os protagonistas, que invariavelmente enlouquecem pelo conhecimento que não deveriam ter, criam um clima de medo fantástico. Contribui ainda para este clima o estilo do autor, com frases longas, com vários adjetivos e advérbios, muitos destes arcaicos. Finalmente, a ambientação na Nova Inglaterra (criando as cidades de Arkham (sim, o asilo de Gotham City, e a própria Gotham City foram inspiradas aqui), com a Miskatonic University, Innsmouth, Dunwich e Kingsport por exemplo), e a interação com lugarejos decadentes, aldeões taciturnos e cultistas enlouquecidos completam o cenário.
Finalmente, o uso comum de descobertas científicas recentes à época (como a teoria da relatividade e o planeta Plutão/Yuggoth), contrastando com sua mente aberta ao extremo, que considerava o conhecimento humano ínfimo comparado aos mistérios do universo. Destaque para conceitos utilizados em suas histórias e somente após a sua morte incluídos na ciência "séria", como a noção de universos paralelos (Through the Gates of the Silver Key), a noção da observação/medição como elemento de alteração do sistema (The Haunter of the Dark), e a citação em 1929-30 do lanternas movidas a energia atômica (The Mound).
"What do we know," he had said, "of the world and the universe about us? Our means of receiving impressions are absurdly few, and our notions of surrounding objects infinitely narrow. We see things only as we are constructed to see them, and can gain no idea of their absolute nature. With five feeble senses we pretend to comprehend the boundlessly complex cosmos, yet other beings with wider, stronger, or different range of senses might not only see very differently the things we see, but might see and study whole worlds of matter, energy, and life which lie close at hand yet can never be detected with the senses we have."
(H. P. Lovecraft -- From Beyond)
The most merciful thing in the world, I think, is the inability of the human mind to correlate all its contents. We live on a placid island of ignorance in the midst of black seas of infinity, and it was not meant that we should voyage far. The sciences, each straining in its own direction, have hitherto harmed us little; but some day the piecing together of dissociated knowledge will open up such terrifying vistas of reality, and of our frightful position therein, that we shall either go mad from the revelation or flee from the light into the peace and safety of a new dark age.
(H. P. Lovecraft -- The Call of Cthulhu)
Para terminar, a indicação do meu candidato a presidente. Why vote for the lesser evil?Cthulhu fhtagn.
Sunday, October 27, 2002
Ouvindo Avantasia, The Metal Opera. Descobri com a Raquel, que descobriu com o Teivan. Não achei muito inovador e esta é a crítica que mais comumente ouço sobre o Tobias Sammet, vocalista do Edguy e idealizador do projeto. Apesar disto, os dois discos do projeto são muito bons, metal de qualidade. Preferi o segundo, que é mais melódico e traz músicas excepcionais. Segue o trecho final de Into the Unknown.
"Walking down a misty road into the unknown
Heavy winds may blow into our faces
You can't kill the dream in killing the dreamer
Can't tear it down
Always carry on
Dreamers come and go
But a dream's forever
Freedom for all minds
Let us go together
Neverending ways
Got to roam forever
Always carry on
I've seen dreamers come and go"
"Walking down a misty road into the unknown
Heavy winds may blow into our faces
You can't kill the dream in killing the dreamer
Can't tear it down
Always carry on
Dreamers come and go
But a dream's forever
Freedom for all minds
Let us go together
Neverending ways
Got to roam forever
Always carry on
I've seen dreamers come and go"
Lula
Em 27 de Outubro de 2002, Luís Inácio Lula da Silva foi eleito Presidente da República. Cansado das péssimas conseqüências sociais da política econômica falha aplicada na última década, o povo elege um representante da esquerda. O povo desconhece o jogo sujo da economia, não reconhece os verdadeiros causadores de sua miséria. O povo sabe apenas que as coisas estão ruins. Sabe da ameaça, muitas vezes já concretizada, do desemprego. Sabe da violência, causada principalmente por este último. O povo sabe que José Serra não representa mudança, e deposita suas esperanças em Lula.
A esperança do povo brasileiro é, paradoxalmente, sua desgraça e sua virtude. Desgraça por facilitar o esquecimento, pondo de lado a perspectiva histórica. Virtude por permitir que continue, que lute - ainda que brandamente - por um país melhor. Lula é um homem do povo. Lula representa a nossa esperança. Se ele pode ou não mostrar a face virtuosa da moeda, criando de fato o pacto social, apenas o tempo nos dirá. Por enquanto, como bom brasileiro, prefiro crer que sim.
Em 27 de Outubro de 2002, Luís Inácio Lula da Silva foi eleito Presidente da República. Cansado das péssimas conseqüências sociais da política econômica falha aplicada na última década, o povo elege um representante da esquerda. O povo desconhece o jogo sujo da economia, não reconhece os verdadeiros causadores de sua miséria. O povo sabe apenas que as coisas estão ruins. Sabe da ameaça, muitas vezes já concretizada, do desemprego. Sabe da violência, causada principalmente por este último. O povo sabe que José Serra não representa mudança, e deposita suas esperanças em Lula.
A esperança do povo brasileiro é, paradoxalmente, sua desgraça e sua virtude. Desgraça por facilitar o esquecimento, pondo de lado a perspectiva histórica. Virtude por permitir que continue, que lute - ainda que brandamente - por um país melhor. Lula é um homem do povo. Lula representa a nossa esperança. Se ele pode ou não mostrar a face virtuosa da moeda, criando de fato o pacto social, apenas o tempo nos dirá. Por enquanto, como bom brasileiro, prefiro crer que sim.
Friday, October 25, 2002
A Caros Amigos deste mês traz uma matéria de capa muito boa. O título é "Chega de lixo cultural!" e trata-se de uma entrevista com o maestro Julio Medaglia. As opiniões dele sobre cultura (particularmente música) são muito interessantes, concordo com praticamente tudo. Na referência acima encontra-se uma palhinha da reportagem. Também no site da revista encontramos um lembrete sobre o processo eleitoral de 1989 e uma breve história da vida de Lula, contada por Frei Betto.
Também da Caros Amigos, está nas bancas a terceira edição do especial Che Guevara, um suplemento exclusivo sobre a vida do guerrilheiro. Vale a pena.
Também da Caros Amigos, está nas bancas a terceira edição do especial Che Guevara, um suplemento exclusivo sobre a vida do guerrilheiro. Vale a pena.
Monday, October 21, 2002
Para quem não conhece, Dilbert é um pobre engenheiro que trabalha numa empresa com um chefe imbecil. O lixeiro da tirinha volta e meia aparece e é uma espécie de onisciência. Por que ele é lixeiro? Porque se não fosse não seria engraçado.
Retirado do sítio oficial do Dilbert.
Retirado do sítio oficial do Dilbert.
Wednesday, October 16, 2002
Mirror Mirror
Atendendo ao pedido da Raquel, algumas informações sobre o álbum Nightfall in the Middle-Earth, do Blind Guardian e sobre a obra de Tolkien.
Encontrei uma entrevista do próprio Hansi Kursch, vocalista da banda, falando sobre o álbum. Ele dá explicações breves mas satisfatórias sobre as músicas. Uma coisa interessante (que eu imaginava, mas não tinha certeza) que ele diz é que as músicas são cantadas da perspectiva do bardo Maglor. Outra é que Mirror Mirror fala de Turgon de Gondolin (o que eu achava) e de Finrod de Nargothrond (que eu não sabia).
Um sítio com ótimas informações sobre o universo de Tolkien, muito bem organizado, é a Encyclopedia of Arda. Tirei (e referenciei) algumas coisas de lá.
Além disso, buscas no Google encontram algumas páginas com interpretações das músicas. Em geral elas são suposições pessoais pouco justificadas.
Segue a minha revisão de Mirror Mirror (ainda minha preferida do álbum).
Far, far beyond the island
We dwelt in shades of twilight
Through dread and weary days
Through grief and endless pain
/* Do exílio de Valinor (the island) e da maldição */
It lies unknown
The land of mine
A hidden gate
To save us from the shadow fall
/*De Gondolin e Nargothrond*/
The lord of water spoke
In the silence
Words of wisdom
I've seen the end of all
Be aware the storm gets closer
/*De Ulmo e suas profecias (particularmente da mensagem levada por Tuor)*/
chorus:
Mirror Mirror on the wall
True hope lies beyond the coast
You're a damned kind can't you see
That the winds will change
Mirror Mirror on the wall
True hope lies beyond the coast
You're a damned kind can't you see
That tomorrows bears insanity
/* "Mirror mirror on the wall" me parece licença poética;
"true hope" refere-se aos Valar, únicos capazes de livrar os noldor da maldição de Fëanor;
"damned kind" podem ser os noldor ou Morgoth*/
Gone's the wisdom
Of a thousand years
A world in fire and chains and fear
Leads me to a place so far
/*Da destruição da Dagor Bragollach*/
Deep down it lies my secret vision
I better keep it safe
/*Das cidades-refúgio*/
Shall I leave my friends alone
Hidden in my twilight hall
(I) know the world is lost in fire
Sure there is no way to turn it
Back to the old days
Of bliss and cheerful laughter
We're lost in barren lands
Caught in the running flames
Alone
/*De novo, a terrível Dagor Bragollach*/
bridge:
How shall we leave the lost road
Time's getting short so follow me
A leader's task so clearly
To find a path out of the dark
/*"lost road", a maldição de Fëanor;
Do dever de lutar contra Morgoth, posteriormente "cumprido" na Nirnaeth Arnoediad, a Batalha das Lágrimas Incontáveis*/
chorus:
Even though
The storm calmed down
The bitter end
Is just a matter of time
/*Da profecia de Ulmo*/
Shall we dare the dragon
Merciless he's poisoning our hearts
Our hearts
/*"the dragon", Glaurung, líder das forças de Morgoth na Dagor Bragollach*/
bridge
chorus
Atendendo ao pedido da Raquel, algumas informações sobre o álbum Nightfall in the Middle-Earth, do Blind Guardian e sobre a obra de Tolkien.
Encontrei uma entrevista do próprio Hansi Kursch, vocalista da banda, falando sobre o álbum. Ele dá explicações breves mas satisfatórias sobre as músicas. Uma coisa interessante (que eu imaginava, mas não tinha certeza) que ele diz é que as músicas são cantadas da perspectiva do bardo Maglor. Outra é que Mirror Mirror fala de Turgon de Gondolin (o que eu achava) e de Finrod de Nargothrond (que eu não sabia).
Um sítio com ótimas informações sobre o universo de Tolkien, muito bem organizado, é a Encyclopedia of Arda. Tirei (e referenciei) algumas coisas de lá.
Além disso, buscas no Google encontram algumas páginas com interpretações das músicas. Em geral elas são suposições pessoais pouco justificadas.
Segue a minha revisão de Mirror Mirror (ainda minha preferida do álbum).
Far, far beyond the island
We dwelt in shades of twilight
Through dread and weary days
Through grief and endless pain
/* Do exílio de Valinor (the island) e da maldição */
It lies unknown
The land of mine
A hidden gate
To save us from the shadow fall
/*De Gondolin e Nargothrond*/
The lord of water spoke
In the silence
Words of wisdom
I've seen the end of all
Be aware the storm gets closer
/*De Ulmo e suas profecias (particularmente da mensagem levada por Tuor)*/
chorus:
Mirror Mirror on the wall
True hope lies beyond the coast
You're a damned kind can't you see
That the winds will change
Mirror Mirror on the wall
True hope lies beyond the coast
You're a damned kind can't you see
That tomorrows bears insanity
/* "Mirror mirror on the wall" me parece licença poética;
"true hope" refere-se aos Valar, únicos capazes de livrar os noldor da maldição de Fëanor;
"damned kind" podem ser os noldor ou Morgoth*/
Gone's the wisdom
Of a thousand years
A world in fire and chains and fear
Leads me to a place so far
/*Da destruição da Dagor Bragollach*/
Deep down it lies my secret vision
I better keep it safe
/*Das cidades-refúgio*/
Shall I leave my friends alone
Hidden in my twilight hall
(I) know the world is lost in fire
Sure there is no way to turn it
Back to the old days
Of bliss and cheerful laughter
We're lost in barren lands
Caught in the running flames
Alone
/*De novo, a terrível Dagor Bragollach*/
bridge:
How shall we leave the lost road
Time's getting short so follow me
A leader's task so clearly
To find a path out of the dark
/*"lost road", a maldição de Fëanor;
Do dever de lutar contra Morgoth, posteriormente "cumprido" na Nirnaeth Arnoediad, a Batalha das Lágrimas Incontáveis*/
chorus:
Even though
The storm calmed down
The bitter end
Is just a matter of time
/*Da profecia de Ulmo*/
Shall we dare the dragon
Merciless he's poisoning our hearts
Our hearts
/*"the dragon", Glaurung, líder das forças de Morgoth na Dagor Bragollach*/
bridge
chorus
Sunday, October 13, 2002
O Renato (um dos autores deste sítio) me informou da existência um projeto interessantíssimo na rede. É uma página que se propõe a responder, fazendo 30 perguntas, qual foi o objeto em que o usuário pensou. Testei com pizza, sexo e mártir. Ele não conseguiu adivinhar o mártir em 30, mas chegou perto: propôs "ser humano". O sistema, pelo que li lá, é baseado em um algoritmo simples de inteligência artificial. Utiliza as respostas já dadas para as mesmas perguntas e os objetos que têm mais em comum com as respostas fornecidas. Se você clicar em "update" ao fim da série de perguntas, ele "aprende" o que você respondeu para aquele objeto. Também indica as contradições entre o que foi dito e o conhecimento dele (o estado anterior da base de dados). Fantástico.
Friday, September 27, 2002
Que adequado este poema que segue. José Serra com menos da metade dos votos de Lula, empatado tecnicamente com Garotinho:
"José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?"
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
"José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?"
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Em uma das manhãs desta semana tive uma revelação. Lendo um texto do autor do Sinfest, li um trecho do tipo "$100 million dollars to the Google power". E percebi que o nome do santo oráculo (e que, vejam, descobri agora, comemora seu quarto aniversário hoje - como eram mesmo as nossas vidas antes dele?) é baseado no googol (gugol em português de portugal). Googol é um número "inventado" pelo matemático americano Edward Krasner, batizado por seu sobrinho, e que representa 10100 (o 1 seguido de 100 zeros). Especulo que os criadores do Google (nerds) tenham batizado o mecanismo assim como uma referência ao grande número de páginas indexadas ou ao crescente tamanho da Internet. E, pesquisando (como?) mais um pouco, descobri que a sede deles é chamada de Googleplex. Googolplex é 10 elevado a um googol (o 1 seguido de 1 googol de zeros).
Só para dar uma idéia, Carl Sagan dizia que nenhuma quantidade no universo soma um googol. Estima-se que o número de prótons e elétrons necessários para preencher todo o universo seja da ordem de 10110.
Sua vida mudou com esta informação, não é? Não? Paciência.
Só para dar uma idéia, Carl Sagan dizia que nenhuma quantidade no universo soma um googol. Estima-se que o número de prótons e elétrons necessários para preencher todo o universo seja da ordem de 10110.
Sua vida mudou com esta informação, não é? Não? Paciência.
Saturday, September 21, 2002
A citação, que era a motivação do post anterior, é:
"Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos."
Eclesiastes, 9:11
"Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos."
Eclesiastes, 9:11
O Velho Testamento é cheio de coisas interessantes. Depois de ver uma citação de Eclesiastes em um livro sobre Algoritmos Genéticos que comecei a estudar, resolvi dar uma lida. Segue o Eclesiastes 1. Perceba a questão filosófica da aflição do espírito e da dor associada ao conhecimento. Para quem se interessar, encontrei uma versão online da Bíblia no UOL.
"PALAVRAS do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém. 1:1
Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. 1:2
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? 1:3
Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. 1:4
Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu. 1:5
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos. 1:6
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr. 1:7
Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. 1:8
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. 1:9
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. 1:10
Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois. 1:11
Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém. 1:12
E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar. 1:13
Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito. 1:14
Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular. 1:15
Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. 1:16
E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. 1:17
Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor. 1:18"
"PALAVRAS do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém. 1:1
Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. 1:2
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? 1:3
Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. 1:4
Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu. 1:5
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos. 1:6
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr. 1:7
Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. 1:8
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. 1:9
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. 1:10
Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois. 1:11
Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém. 1:12
E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar. 1:13
Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito. 1:14
Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular. 1:15
Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. 1:16
E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. 1:17
Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor. 1:18"
Friday, September 20, 2002
Incrível como algumas coisas continuam atuais.
Perfeição
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladroes
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já aqui também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição
Perfeição
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladroes
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já aqui também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição
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